A taxa crescente na economia dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e Coreia) tem sido motivo de orgulho, e a taxa decrescente na economia dos países ricos tem sido motivo de tormento. Isso em linhas gerais, pois economistas como Maílson da Nóbrega andam torcendo o nariz (a maioria não tem mais cabelos para arrancar) em relação à volta da inflação no Brasil. O presidente do Banco Central diz que a inflação acima da meta fixada para o ano de 2011 já era esperada e que ela será alcançada em 2012.
Tombini já trabalhou no FMI, tem uma grande experiência em se tratando de economia, foi indicado pela presidente Dilma de acordo com a meritocracia, o que é de se orgulhar levando em conta as tradições políticas brasileiras, mas o que mais chama a atenção na declaração acima é a retórica.
Ver o ministro do trabalho Carlos Lupi esbravejando e mentindo descaradamente quando pergunta "como é mesmo o nome dele?" não causa nenhuma confusão sobre o fato de Lupi ser péssimo ator e político brasileiro, basta imaginar no absurdo que seria alguém se perguntando "qual é mesmo a cor do café preto?", mas é preciso ser um pouco mais atento ao se deparar com frases como a de Tombini sobre a a meta da inflação de 2011. Vejamos: se a meta do índice inflacionário para esse ano era de 4.5%, e se era sabido que esse número seria ultrapassado, então para que estabelecer um número menor do que se espera? É como dizer: "vou parar de fumar ano que vem", e no ano que vem dizer: "já era esperado que eu não cumpriria a promessa".
Essa velha retórica antiga já é velha e antiga, por isso não costuma pegar desprevenido quem as ouve com atenção. A novidade que tem animado milhões de pessoas com renda acima de 70 reais por mês - e por isso acima da linha da miséria - são os números. Quando Sarney era presidente, dizia-se que a inflação ia ser controlada, e passava de 30% ao mês. Hoje se diz que ela vai ficar em 4.5% ao ano, e quase chega aos 7%. Os números sobre os BRICs ensejam esperança; os sobre as potências desenvolvidas, revolta (para eles, não para nós). Acima dos países pobres, dos ricos e dos emergentes está um instrumento que deflagra desigualdades em massa em qualquer lugar: a crise financeira mundial que tem em seu núcleo as instituições financeiras privadas. Portanto, os números sempre aumentam e diminuem. Talvez Maílson da Nóbrega tenha razão, talvez não.
domingo, 27 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Nem foi preso, Nem é criminoso
Ocupação da Rocinha. Prisão do traficante "Nem". Essas duas notícias fizeram muitos se sentirem orgulhosos ao lê-las ou ouvi-las durante a semana. Mas apesar de não ter uma ótima memória, recordo-me de há cerca de uns 7 meses ter assistido a incessantes noticiários sobre ocupação das favelas no Rio. Não esqueço também os elogios que essas operações de pacificação dos morros receberam de quem as acompanhou, monitorou, arquitetou e até de quem mal sabia o que estava acontecendo e eventualmente também demonstrou sua opinião positiva.
Ninguém negou que foi uma atuação válida e produtiva contra o crime organizado nas favelas do Rio. Ninguém, a não ser os "T.H.S" - Traficantes, homicidas e simpatizantes. Não sou T.H.S, tampouco vejo motivos para criticar uma ação pacificadora em regiões já caracterizadas tradicionalmente pela violência. Mas o Brasil é um país tragicamente cômico, aqui não se diz que não se deve procurar pelo em ovo, mas sim que os ovos não existem, ou então, no máximo, que isso faz parte da cultura brasileira.
A Rocinha finalmente foi ocupada e o traficante "Nem" foi preso. Acho isso positivo, mas inevitavelmente levanto algumas questões: 1- Como puderam elogiar tanto as ocupações das favelas do Rio no mês de março e esquecer de uma com 200 mil habitantes? 2- Nessas operações, dezenas de armas foram apreendidas pela polícia e pelo exército, mas TODO esse armamento não foi conseguido pelos traficantes diretamente através da própria polícia e do próprio exército? 3- O traficante "Nem" era o ditador da Rocinha, mas por que então - excetuando-se os que viviam sobe seu regime ditatorial - o resto da população brasileira mal sabia de sua existência?
Provavelmente mais ocupações acontecerão. E sem deixar no esquecimento a metáfora do pelo em ovo, acredito pertinente aqui apontar mais uma: a de espalhar a doença para depois vender a cura. Acho que acompanhar os noticiários tem me feito rejuvenescer, ou então chegar à conclusão de que as crianças entendem mais de política do que os adultos. Afinal, a seguinte questão não seria digna de uma criança? "Por que tanto empenho em combater o crime apenas, não seria bom também algum esforço para preveni-lo?".
Ninguém negou que foi uma atuação válida e produtiva contra o crime organizado nas favelas do Rio. Ninguém, a não ser os "T.H.S" - Traficantes, homicidas e simpatizantes. Não sou T.H.S, tampouco vejo motivos para criticar uma ação pacificadora em regiões já caracterizadas tradicionalmente pela violência. Mas o Brasil é um país tragicamente cômico, aqui não se diz que não se deve procurar pelo em ovo, mas sim que os ovos não existem, ou então, no máximo, que isso faz parte da cultura brasileira.
A Rocinha finalmente foi ocupada e o traficante "Nem" foi preso. Acho isso positivo, mas inevitavelmente levanto algumas questões: 1- Como puderam elogiar tanto as ocupações das favelas do Rio no mês de março e esquecer de uma com 200 mil habitantes? 2- Nessas operações, dezenas de armas foram apreendidas pela polícia e pelo exército, mas TODO esse armamento não foi conseguido pelos traficantes diretamente através da própria polícia e do próprio exército? 3- O traficante "Nem" era o ditador da Rocinha, mas por que então - excetuando-se os que viviam sobe seu regime ditatorial - o resto da população brasileira mal sabia de sua existência?
Provavelmente mais ocupações acontecerão. E sem deixar no esquecimento a metáfora do pelo em ovo, acredito pertinente aqui apontar mais uma: a de espalhar a doença para depois vender a cura. Acho que acompanhar os noticiários tem me feito rejuvenescer, ou então chegar à conclusão de que as crianças entendem mais de política do que os adultos. Afinal, a seguinte questão não seria digna de uma criança? "Por que tanto empenho em combater o crime apenas, não seria bom também algum esforço para preveni-lo?".
domingo, 13 de novembro de 2011
Somos cães esperando o dono
Há 4.5 bilhões de anos não existia planeta terra. Há centenas de milhares de anos não existia a raça humana. Quantos milhares de anos? Não polemizemos a questão, a intenção não é essa. Chutemos por baixo então, dizendo que há cerca de 150 mil anos não existia a raça humana.
Das cavernas à era espacial houve um imenso progresso, e nos últimos 100 anos a humanidade progrediu mais do que nos últimos 1000 anos. Mas progrediu em que? Tecnologia? Sim, tecnologicamente houve um progresso inegável entre a invenção da geladeira e o armazenamento de dados nas nuvens. A medicina também deu um grande salto, assim como outras áreas acadêmicas, como a psicologia, que há pouco mais de um século nem existia e era estudada junto com a filosofia. Mas o cérebro humano não evoluiu tanto assim nos últimos milênios. A ideia de que hoje somos mais inteligentes do que antigamente é um grande equívoco, se isso fosse verdade qualquer pessoa hoje em dia, seja jogador de futebol ou cantor (cantor?) de funk seria mais inteligente do que Platão, Aristóteles, Sócrates, Tales de Mileto e muitos outros que viveram há mais de 2000 anos. Não se pode nem dizer que o ex-presidente Lula é mais inteligente do que algum senador da Roma antiga, excetuando-se o cavalo nomeado senador por Calígula. Bom, há quem diga que nem isso...
Desde a antiguidade clássica na Grécia (500 AC), na verdade nada mudou. Paramos no tempo. São 2500 anos de pura teimosia e a cada dia que passa o número de teimosos aumenta, hoje já são mais de 7 bilhões. E esse número tão elevado de animais racionais teima em que, afinal? Em não concordar com alguns e concordar com outros. Em acreditar que há alguém que sabe a resposta de todas as perguntas. Em insistir e achar que dizer "eu não sei" é um sinal de fraqueza. Obviamente nem todos são tão teimosos, alguns são menos.
Essa capacidade de abstração que nos difere tão visivelmente das outras espécies está sendo pouco usada, ou não está sendo usada tanto quanto poderia. Nossa capacidade de raciocinar nos permite duvidar de tudo, e eventualmente do que acreditamos ser verdade, mas praticamente ninguém exerce esse direito de duvidar do que sabe, ou pensa que sabe. Exemplificando: o cachorro daquela história que virou filme ia buscar o dono todos os dias na estação de trem, e quando seu dono morreu ele continuou esperando-o até morrer também, de velhice. O cachorro não é teimoso, ele apenas não tem capacidade de raciocinar e chegar à conclusão de que seu querido dono não mais está entre os outros seres viventes.
Nós humanos temos capacidade para raciocinar, mas continuamos esperando muitas coisas que não retornarão e também acreditando em muitas coisas de que já deveríamos ao menos estar duvidando.
Das cavernas à era espacial houve um imenso progresso, e nos últimos 100 anos a humanidade progrediu mais do que nos últimos 1000 anos. Mas progrediu em que? Tecnologia? Sim, tecnologicamente houve um progresso inegável entre a invenção da geladeira e o armazenamento de dados nas nuvens. A medicina também deu um grande salto, assim como outras áreas acadêmicas, como a psicologia, que há pouco mais de um século nem existia e era estudada junto com a filosofia. Mas o cérebro humano não evoluiu tanto assim nos últimos milênios. A ideia de que hoje somos mais inteligentes do que antigamente é um grande equívoco, se isso fosse verdade qualquer pessoa hoje em dia, seja jogador de futebol ou cantor (cantor?) de funk seria mais inteligente do que Platão, Aristóteles, Sócrates, Tales de Mileto e muitos outros que viveram há mais de 2000 anos. Não se pode nem dizer que o ex-presidente Lula é mais inteligente do que algum senador da Roma antiga, excetuando-se o cavalo nomeado senador por Calígula. Bom, há quem diga que nem isso...
Desde a antiguidade clássica na Grécia (500 AC), na verdade nada mudou. Paramos no tempo. São 2500 anos de pura teimosia e a cada dia que passa o número de teimosos aumenta, hoje já são mais de 7 bilhões. E esse número tão elevado de animais racionais teima em que, afinal? Em não concordar com alguns e concordar com outros. Em acreditar que há alguém que sabe a resposta de todas as perguntas. Em insistir e achar que dizer "eu não sei" é um sinal de fraqueza. Obviamente nem todos são tão teimosos, alguns são menos.
Essa capacidade de abstração que nos difere tão visivelmente das outras espécies está sendo pouco usada, ou não está sendo usada tanto quanto poderia. Nossa capacidade de raciocinar nos permite duvidar de tudo, e eventualmente do que acreditamos ser verdade, mas praticamente ninguém exerce esse direito de duvidar do que sabe, ou pensa que sabe. Exemplificando: o cachorro daquela história que virou filme ia buscar o dono todos os dias na estação de trem, e quando seu dono morreu ele continuou esperando-o até morrer também, de velhice. O cachorro não é teimoso, ele apenas não tem capacidade de raciocinar e chegar à conclusão de que seu querido dono não mais está entre os outros seres viventes.
Nós humanos temos capacidade para raciocinar, mas continuamos esperando muitas coisas que não retornarão e também acreditando em muitas coisas de que já deveríamos ao menos estar duvidando.
domingo, 30 de outubro de 2011
Nova moda
O Brasil sempre foi adepto incondicional a modismos estrangeiros. Desde os tempos do Brasil Colônia isso acontece. Por que as mulheres usavam vestidos longos e os homens terno, gravata e cartola debaixo do sol escaldante no verão brasileiro em regiões como Nordeste e Sudeste? Por causa da moda. E tem sido assim até os dias atuais, sempre seguimos a moda que vem de fora.
Seguir uma moda (ou tendência, para aqueles que preferem usar um eufemismo) não parece ser um hábito negativo, desde que sirva a algum propósito positivo. Retornemos às origens de nosso País: copiar a indumentária européia, que no inverno de lá servia para manter o corpo aquecido, serviu-nos para quê? Ora, para uma boa estética das classes sociais mais altas da época, que aliás não contava com aparelhos condicionadores de ar elétricos.
Em 1988 nossos legisladores editaram a tão famosa Constituição da República, a "Constituição Cidadã". Ela foi elaborada nos moldes da constituição dos Estados Unidos. Copiamos os americanos. O que há de errado nisso? Nada, a constituição norte-americana tem mais de 200 anos, poucos artigos e sofreu pouquíssimas emendas até então. E o produto de termos seguido essa "tendência"? Mais de 250 artigos, numa linguagem que o povo brasileiro não consegue entender, incontáveis emendas, contradições e até um artigo dizendo que um colégio no estado do Rio de Janeiro pertencerá sempre ao âmbito federal. Sim, na Carta Magna que é considerada acima de qualquer lei que existe em nosso País, existe um artigo tratando de um assunto ridículo como esse, um colégio que eternamente o legislador quis que ficasse sob a tutela da União, e não de qualquer estado-membro. Inserir isso no texto constitucional foi seguir alguma "tendência"? Não, nisso o legislador brasileiro foi original.
Enfim, tentamos seguir modas e as distorcemos, mas tentamos. Tentamos ser originais e só fazemos besteira, mas nos esforçamos. Ah, mas estou sendo injusto, já copiamos muitas modas e até as aperfeiçoamos, vale dizer: as modas inúteis, como a do rebelde sem causa dos anos 50. A moda agora no exterior é fazer protesto contra a corrupção e ocupar praças públicas, com seriedade e sem prazo de desocupação. Parece que, infelizmente num momento como esse, o povo brasileiro não quer mais copiar o que vem de fora e resolveu copiar o que nós mesmos produzimos - ou pensamos produzir - : é só andar pelas ruas e não veremos ninguém ocupando praças públicas e protestando contra a ganância dos investidores que controlam a economia, mas estão copiando muito bem o corte de cabelo de um jogador de futebol (que o copiou dos índios americanos).
Seguir uma moda (ou tendência, para aqueles que preferem usar um eufemismo) não parece ser um hábito negativo, desde que sirva a algum propósito positivo. Retornemos às origens de nosso País: copiar a indumentária européia, que no inverno de lá servia para manter o corpo aquecido, serviu-nos para quê? Ora, para uma boa estética das classes sociais mais altas da época, que aliás não contava com aparelhos condicionadores de ar elétricos.
Em 1988 nossos legisladores editaram a tão famosa Constituição da República, a "Constituição Cidadã". Ela foi elaborada nos moldes da constituição dos Estados Unidos. Copiamos os americanos. O que há de errado nisso? Nada, a constituição norte-americana tem mais de 200 anos, poucos artigos e sofreu pouquíssimas emendas até então. E o produto de termos seguido essa "tendência"? Mais de 250 artigos, numa linguagem que o povo brasileiro não consegue entender, incontáveis emendas, contradições e até um artigo dizendo que um colégio no estado do Rio de Janeiro pertencerá sempre ao âmbito federal. Sim, na Carta Magna que é considerada acima de qualquer lei que existe em nosso País, existe um artigo tratando de um assunto ridículo como esse, um colégio que eternamente o legislador quis que ficasse sob a tutela da União, e não de qualquer estado-membro. Inserir isso no texto constitucional foi seguir alguma "tendência"? Não, nisso o legislador brasileiro foi original.
Enfim, tentamos seguir modas e as distorcemos, mas tentamos. Tentamos ser originais e só fazemos besteira, mas nos esforçamos. Ah, mas estou sendo injusto, já copiamos muitas modas e até as aperfeiçoamos, vale dizer: as modas inúteis, como a do rebelde sem causa dos anos 50. A moda agora no exterior é fazer protesto contra a corrupção e ocupar praças públicas, com seriedade e sem prazo de desocupação. Parece que, infelizmente num momento como esse, o povo brasileiro não quer mais copiar o que vem de fora e resolveu copiar o que nós mesmos produzimos - ou pensamos produzir - : é só andar pelas ruas e não veremos ninguém ocupando praças públicas e protestando contra a ganância dos investidores que controlam a economia, mas estão copiando muito bem o corte de cabelo de um jogador de futebol (que o copiou dos índios americanos).
domingo, 23 de outubro de 2011
Ter fé é preciso, ter fé não é preciso.
O Sr. Roberto Pompeu de Toledo, em artigo publicado pela revista veja desta semana, delineou de forma clara e concisa - e assim, logicamente, de maneira não ortodoxa - o tratamento que o Brasil dá ao tema que, considerado sagrado, traz nesse adjetivo já uma conotação que deixa claro a tendência criticada pelo autor do artigo: religião.
Os dispositivos constitucionais indicados pelo colunista evidenciam uma disparidade indisfarçável em relação a subsídios, subvenções e outras vantagens destinadas a cultos religiosos ou igrejas e a "escolas confessionais". Ah sim, qualquer cristão atento me acusaria de estar agindo de maneira discriminatória sugerindo que tais "escolas confessionais" são de natureza católica, e talvez algumas protestantes. E eles realmente estariam com a razão, se realmente existissem escolas confessionais de natureza budista, umbandista, taoísta, confucionista etc agraciadas com verba pública. Existe alguma, pelo menos uma no Brasil?
Pompeu de Toledo não comentou (talvez por falta de espaço) uma parte bem extensa da Constituição da República que é considerada cláusula pétrea (e que não pode ser objeto de emenda):o artigo 5º. O legislador constituinte fez questão de inserir 3 incisos nesse artigo para estabelecer garantias a quem quiser exercer livremente qualquer culto ou liturgia, e garante também que tal proteção será feita na forma da lei. Desconheço que lei é essa, se existir. Mas caso não exista, torço para que nossos legisladores (Tiririca, Romário, Popó, entre outros)se esforcem em editar outras leis, como por exemplo a lei que regulamenta o direito de greve dos servidores públicos, que está esperando para ser editada há 22 anos e os ocupadíssimos deputados e senadores ainda não tiveram tempo para redigí-la.
Há tambem outros temas a serem tratados na constituição, como por exemplo o direito à educação, ALIMENTAÇÃO e moradia; e se não obtiverem o adjetivo de "sagrados" levando-se em conta o tratamento que lhes é dispensado, torçamos para que ao menos obtenha o de "importante".
Os dispositivos constitucionais indicados pelo colunista evidenciam uma disparidade indisfarçável em relação a subsídios, subvenções e outras vantagens destinadas a cultos religiosos ou igrejas e a "escolas confessionais". Ah sim, qualquer cristão atento me acusaria de estar agindo de maneira discriminatória sugerindo que tais "escolas confessionais" são de natureza católica, e talvez algumas protestantes. E eles realmente estariam com a razão, se realmente existissem escolas confessionais de natureza budista, umbandista, taoísta, confucionista etc agraciadas com verba pública. Existe alguma, pelo menos uma no Brasil?
Pompeu de Toledo não comentou (talvez por falta de espaço) uma parte bem extensa da Constituição da República que é considerada cláusula pétrea (e que não pode ser objeto de emenda):o artigo 5º. O legislador constituinte fez questão de inserir 3 incisos nesse artigo para estabelecer garantias a quem quiser exercer livremente qualquer culto ou liturgia, e garante também que tal proteção será feita na forma da lei. Desconheço que lei é essa, se existir. Mas caso não exista, torço para que nossos legisladores (Tiririca, Romário, Popó, entre outros)se esforcem em editar outras leis, como por exemplo a lei que regulamenta o direito de greve dos servidores públicos, que está esperando para ser editada há 22 anos e os ocupadíssimos deputados e senadores ainda não tiveram tempo para redigí-la.
Há tambem outros temas a serem tratados na constituição, como por exemplo o direito à educação, ALIMENTAÇÃO e moradia; e se não obtiverem o adjetivo de "sagrados" levando-se em conta o tratamento que lhes é dispensado, torçamos para que ao menos obtenha o de "importante".
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Deputados
Outro dia eu estava assistindo um repórter entrevistando outro repórter. O repórter entrevistado era um correspondente na Tunísia, e isso foi bem na época em que emergiram os protestos que derrubaram o presidente Zine El Abidine Ben Ali. O entrevistador perguntou: "Por que protestos tão vigorosos contra o presidente, visto que as estatísticas macro-econômicas da Tunísia nos últimos tempos têm sido boas?" A resposta: "Porque o povo não sobrevive de estatísticas macro-econômicas anunciadas pela mídia".
As estatísticas em relação ao Brasil também são animadoras, dizem até que os nordestinos que migraram para a região sudeste estão voltando à região Nordeste, e que lá encontram emprego e prosperidade. Bom, essas são as notícias, espero que a grande maioria da população brasileira que se encontra desempregada e em péssima situação financeira consiga comer essas notícias, vestí-las, calçá-las e bebê-las no fim de ano.
O eleitor brasileiro andou votando em palhaços, presidiários, boleiros, pugilistas semi-analfabetos, políticos respondendo a processos na justiça e outros fisiologistas descarados nas últimas eleições para deputado, isso me deixou realmente confuso... Devo agora me sentir aliviado por José Sarney não ter sido afastado por escândalos de corrupção e abuso de poder? Devo me preocupar agora com o nível intelectual dos congressistas antes de me preocupar se eles farão algo de positivo pelo país?
Quem vota em fisiologista corrupto, palhaço, boleiro e presidiário deve achar que se ninguém consegue comer boas estatísticas, então poderemos nos banquetear com estatísticas negativas.
As estatísticas em relação ao Brasil também são animadoras, dizem até que os nordestinos que migraram para a região sudeste estão voltando à região Nordeste, e que lá encontram emprego e prosperidade. Bom, essas são as notícias, espero que a grande maioria da população brasileira que se encontra desempregada e em péssima situação financeira consiga comer essas notícias, vestí-las, calçá-las e bebê-las no fim de ano.
O eleitor brasileiro andou votando em palhaços, presidiários, boleiros, pugilistas semi-analfabetos, políticos respondendo a processos na justiça e outros fisiologistas descarados nas últimas eleições para deputado, isso me deixou realmente confuso... Devo agora me sentir aliviado por José Sarney não ter sido afastado por escândalos de corrupção e abuso de poder? Devo me preocupar agora com o nível intelectual dos congressistas antes de me preocupar se eles farão algo de positivo pelo país?
Quem vota em fisiologista corrupto, palhaço, boleiro e presidiário deve achar que se ninguém consegue comer boas estatísticas, então poderemos nos banquetear com estatísticas negativas.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Feliz natal a todos!
O natal se aproxima, e eu fico às vezes pensando sobre o efeito psicológico que essa época do ano causa nas pessoas. Em mim por exemplo, traz uma certa nostalgia, lembro de vídeo-game atari e dos brinquedos que eu ganhava, de poder ficar acordado até de madrugada sem precisar baixar o volume da televisão porque alguém está dormindo, de poder usar dentro de casa aquela roupa nova que era apenas para usar na casa dos outros, lembro-me também de ir às lojas e supermercados que ficavam abertos até as 10 da noite apenas nesse breve período de tempo, e isso era especialmente agradável, pois nessa época do ano, sempre faz muito calor de dia, e também era bom poder tomar aquela golada de cidra cereser junto com os adultos, que geralmente já estavam tomando alguma coisa desde a tarde.
Aquela conversa de que no período natalino nossos corações se enchem de bondade, e que um sentimento de amor ao próximo nos toma de assalto não faz muito sentido para mim. Quanto sinto essa nostalgia de clima de natal reverberando em minhas lembranças, eu só consigo me recordar de presentes, comida, festas, férias escolares e essas outras coisas que crianças egoístas (e todas as crianças são egoístas, ou alguém já viu uma criança pedir um saco de presentes para dividir com os amigos?) adoram.
Eu nunca gostei de dizer as coisas apenas por dizer, nunca gostei de usar as palavras para manifestar algo que eu realmente não estivesse pensando. E quando ouço ou leio por aí no comércio frases como “boas festas”, “feliz natal” e “próspero ano novo”, geralmente eu sinto falta do tempo de quando eu era criança e achava que essas frases eram ditas porque o tal espírito natalino enchia os corações das pessoas de bondade.
Convenhamos, ninguém está desejando “feliz natal” ou “próspero ano novo”. Eu fico imaginando duas pessoas que trabalham no mesmo ramo de negócios desejando próspero ano novo um ao outro, necessariamente quem deseja um próspero ano novo ao outro está desejando a si mesmo um decadente ano novo. Fico imaginando também o que realmente está pensando aquele caixa de supermercado quando ele ou ela me diz ternamente “muito obrigado e tenha um feliz ano novo, senhor”. Não gosto quando alguém me chama de senhor, e duvido que alguém que nunca me viu na vida deseje que eu tenha dias felizes. Eu desconfio que todos aquelas pessoas xingam mentalmente os consumidores e desejariam estar em casa bebendo e vendo televisão.
Natal é tempo de felicidade, de confraternização, de rever amigos e familiares, de sermos menos hipócritas e mais sinceros uns com os outros! Vamos desejar feliz natal e um próspero ano novo somente às pessoas que nós realmente queremos que tenham um feliz natal e um próspero ano novo! Eu gostaria de sair para comprar uma cidra cereser esse ano lá pelas 20:00 do dia 24 de dezembro, e ouvir a seguinte frase do caixa e do empacotador do mercado: “você provavelmente é uma pessoa de classe média que obviamente não está trabalhando agora, enquanto eu tenho que ficar aqui em pé até as vésperas da ceia de natal, eu não te desejo nada, desejo é que no ano que vem eu esteja no seu lugar, e você no meu”. Não que eu ache importante que todos possam celebrar a ceia de natal, eu mesmo não faço questão, não vejo significado em celebrar esta data, que na verdade é a data do solstício de inverno, e não o nascimento de alguém. Na verdade desde 1992, eu tenho passado todos os meus solstícios de inverno trabalhando na hora da ceia, e isso nunca me incomodou. O que me incomoda são os sorrisos insinceros e as frases mentirosas.
Os sorrisos em particular, me deixam inquieto. Será que todos pensam que no mundo só existem pessoas com condição suficiente para poder celebrar o natal com a família e os amigos? Natal é claramente um artifício para vender produtos manufaturados, mas se eu fosse vender algum produto, eu faria o seguinte anúncio: “compre cidra cereser para celebrar mais um solstício de inverno que na verdade só deveria ser comemorado no hemisfério norte, pois em dezembro no Brasil é verão, e eu não tenho obrigação nenhuma de desejar feliz natal para ninguém”.
É, soa um pouco arrogante, melhor tentar ser mais agradável: “tenham todos um feliz natal, embora milhares de cidadãos em todo o país e em todo mundo vão morrer, ter derrames irreversíveis, vão contrair doenças crônicas, perder o emprego, ser despejados de casa, amputar um membro do corpo, ser assaltados, ser atropelados, esfaqueados, fuzilados, presos injustamente, apedrejados, morrerão de fome, de sede, de doenças tratáveis como malária, vão ser vítimas de corrupção, vão perder um ente querido, mulheres serão estupradas e algumas assassinadas brutalmente, outras vão ser espancadas pelos maridos etc...”
Esse seria um “feliz natal” dentro da realidade. Mas tenho certeza de que a maioria prefere aquele “feliz natal” insincero dito por uma linda atriz de dentes impecavelmente brancos no comercial de TV.
Aquela conversa de que no período natalino nossos corações se enchem de bondade, e que um sentimento de amor ao próximo nos toma de assalto não faz muito sentido para mim. Quanto sinto essa nostalgia de clima de natal reverberando em minhas lembranças, eu só consigo me recordar de presentes, comida, festas, férias escolares e essas outras coisas que crianças egoístas (e todas as crianças são egoístas, ou alguém já viu uma criança pedir um saco de presentes para dividir com os amigos?) adoram.
Eu nunca gostei de dizer as coisas apenas por dizer, nunca gostei de usar as palavras para manifestar algo que eu realmente não estivesse pensando. E quando ouço ou leio por aí no comércio frases como “boas festas”, “feliz natal” e “próspero ano novo”, geralmente eu sinto falta do tempo de quando eu era criança e achava que essas frases eram ditas porque o tal espírito natalino enchia os corações das pessoas de bondade.
Convenhamos, ninguém está desejando “feliz natal” ou “próspero ano novo”. Eu fico imaginando duas pessoas que trabalham no mesmo ramo de negócios desejando próspero ano novo um ao outro, necessariamente quem deseja um próspero ano novo ao outro está desejando a si mesmo um decadente ano novo. Fico imaginando também o que realmente está pensando aquele caixa de supermercado quando ele ou ela me diz ternamente “muito obrigado e tenha um feliz ano novo, senhor”. Não gosto quando alguém me chama de senhor, e duvido que alguém que nunca me viu na vida deseje que eu tenha dias felizes. Eu desconfio que todos aquelas pessoas xingam mentalmente os consumidores e desejariam estar em casa bebendo e vendo televisão.
Natal é tempo de felicidade, de confraternização, de rever amigos e familiares, de sermos menos hipócritas e mais sinceros uns com os outros! Vamos desejar feliz natal e um próspero ano novo somente às pessoas que nós realmente queremos que tenham um feliz natal e um próspero ano novo! Eu gostaria de sair para comprar uma cidra cereser esse ano lá pelas 20:00 do dia 24 de dezembro, e ouvir a seguinte frase do caixa e do empacotador do mercado: “você provavelmente é uma pessoa de classe média que obviamente não está trabalhando agora, enquanto eu tenho que ficar aqui em pé até as vésperas da ceia de natal, eu não te desejo nada, desejo é que no ano que vem eu esteja no seu lugar, e você no meu”. Não que eu ache importante que todos possam celebrar a ceia de natal, eu mesmo não faço questão, não vejo significado em celebrar esta data, que na verdade é a data do solstício de inverno, e não o nascimento de alguém. Na verdade desde 1992, eu tenho passado todos os meus solstícios de inverno trabalhando na hora da ceia, e isso nunca me incomodou. O que me incomoda são os sorrisos insinceros e as frases mentirosas.
Os sorrisos em particular, me deixam inquieto. Será que todos pensam que no mundo só existem pessoas com condição suficiente para poder celebrar o natal com a família e os amigos? Natal é claramente um artifício para vender produtos manufaturados, mas se eu fosse vender algum produto, eu faria o seguinte anúncio: “compre cidra cereser para celebrar mais um solstício de inverno que na verdade só deveria ser comemorado no hemisfério norte, pois em dezembro no Brasil é verão, e eu não tenho obrigação nenhuma de desejar feliz natal para ninguém”.
É, soa um pouco arrogante, melhor tentar ser mais agradável: “tenham todos um feliz natal, embora milhares de cidadãos em todo o país e em todo mundo vão morrer, ter derrames irreversíveis, vão contrair doenças crônicas, perder o emprego, ser despejados de casa, amputar um membro do corpo, ser assaltados, ser atropelados, esfaqueados, fuzilados, presos injustamente, apedrejados, morrerão de fome, de sede, de doenças tratáveis como malária, vão ser vítimas de corrupção, vão perder um ente querido, mulheres serão estupradas e algumas assassinadas brutalmente, outras vão ser espancadas pelos maridos etc...”
Esse seria um “feliz natal” dentro da realidade. Mas tenho certeza de que a maioria prefere aquele “feliz natal” insincero dito por uma linda atriz de dentes impecavelmente brancos no comercial de TV.
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