O Brasil sempre foi adepto incondicional a modismos estrangeiros. Desde os tempos do Brasil Colônia isso acontece. Por que as mulheres usavam vestidos longos e os homens terno, gravata e cartola debaixo do sol escaldante no verão brasileiro em regiões como Nordeste e Sudeste? Por causa da moda. E tem sido assim até os dias atuais, sempre seguimos a moda que vem de fora.
Seguir uma moda (ou tendência, para aqueles que preferem usar um eufemismo) não parece ser um hábito negativo, desde que sirva a algum propósito positivo. Retornemos às origens de nosso País: copiar a indumentária européia, que no inverno de lá servia para manter o corpo aquecido, serviu-nos para quê? Ora, para uma boa estética das classes sociais mais altas da época, que aliás não contava com aparelhos condicionadores de ar elétricos.
Em 1988 nossos legisladores editaram a tão famosa Constituição da República, a "Constituição Cidadã". Ela foi elaborada nos moldes da constituição dos Estados Unidos. Copiamos os americanos. O que há de errado nisso? Nada, a constituição norte-americana tem mais de 200 anos, poucos artigos e sofreu pouquíssimas emendas até então. E o produto de termos seguido essa "tendência"? Mais de 250 artigos, numa linguagem que o povo brasileiro não consegue entender, incontáveis emendas, contradições e até um artigo dizendo que um colégio no estado do Rio de Janeiro pertencerá sempre ao âmbito federal. Sim, na Carta Magna que é considerada acima de qualquer lei que existe em nosso País, existe um artigo tratando de um assunto ridículo como esse, um colégio que eternamente o legislador quis que ficasse sob a tutela da União, e não de qualquer estado-membro. Inserir isso no texto constitucional foi seguir alguma "tendência"? Não, nisso o legislador brasileiro foi original.
Enfim, tentamos seguir modas e as distorcemos, mas tentamos. Tentamos ser originais e só fazemos besteira, mas nos esforçamos. Ah, mas estou sendo injusto, já copiamos muitas modas e até as aperfeiçoamos, vale dizer: as modas inúteis, como a do rebelde sem causa dos anos 50. A moda agora no exterior é fazer protesto contra a corrupção e ocupar praças públicas, com seriedade e sem prazo de desocupação. Parece que, infelizmente num momento como esse, o povo brasileiro não quer mais copiar o que vem de fora e resolveu copiar o que nós mesmos produzimos - ou pensamos produzir - : é só andar pelas ruas e não veremos ninguém ocupando praças públicas e protestando contra a ganância dos investidores que controlam a economia, mas estão copiando muito bem o corte de cabelo de um jogador de futebol (que o copiou dos índios americanos).
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